
Foram longos 11 anos de construção do Marvel Cinematic Universe (MCU) e o estúdio, enfim, entrega uma obra de arte completa que coroa tudo o que produziu até aqui. Pode-se dizer que este é o ponto principal que intercala o início e o desenvolvimento ao que se tornou o fim da Terceira Fase da Marvel nos cinemas. Vingadores: Ultimato é uma verdadeira e autêntica declaração de amor, respeito aos fãs, aos atores e atrizes e ao máximo que puderam extrair das histórias em quadrinhos. São 3 horas que detalham toda a trajetória e surpreende de forma magistral.
Antes mesmo do filme estrear as teorias começaram a corroer e bombardear a cabeça dos fãs. Podia-se imaginar o que estava por vir, mas não se tinha ao certo saber como tudo aquilo iria acontecer. Os Irmão Russo (Joe Russo e Anthony Russo) se preocuparam em interligar todos os acontecimentos. Deixaram claro que, principalmente após os ocorridos em Vingadores: Guerra Infinita, após o estalo de Thanos (Josh Brolin), tudo iria se intensificar. O início da obra apresenta e explora a depressão que se passou neste tempo após a atitude do Titã Louco. O planeta Terra havia se tornado um campo vasto de apenas 50% da vida, assim como todo o universo. Poucos conseguiram se restabelecer, poucos conseguiram manter a mente em equilíbrio. O primeiro reencontro deixa claro que a falha em Guerra Infinita havia afetado a todos, principalmente aos heróis mais poderosos do planeta. Tony Stark (Robert Downey jr) e Steve Rogers (Chris Evans) protagonizam, logo de cara, um diálogo nostálgico que nos remete diretamente a Vingadores: Guerra Civil, e deixa evidente que nada como esperança deixaria a situação atual melhor. Para alguns, a desesperança era o refúgio para sobreviver mentalmente. O que mais sente de fato é o Thor (Chris Hemsworth), que deixa o público em dúvida se isso é bom para o filme, se é forçado ou se ficou muito ruim. De fato, pelo o que se entende das histórias do personagem até mesmo nas histórias em quadrinhos, no fim, você compreende.
Por sorte, destino ou acaso, tudo começa a acontecer como deve acontecer para chegarmos ao ápice da obra. Agora, com uma nova perspectiva e novos objetivos, os vingadores remanescentes se encontram no dilema de manter tudo como está ou recorrer há mínima possibilidade de fazer com que tudo volte ao normal. Para isto, uma jornada nova se inicia em busca de recursos para tal. O destaque entra para o Homem Formiga (Paul Rudd) com sua extrema importância quanto ao Reino Quântico, visto antes já em Homem Formiga e Vespa, na cenas pós-crédito, e a reunião para se aventurar neste mesmo método se faz necessária. Professor Hulk (Mark Ruffalo), Thor, Rocket Raccoon (Bradley Cooper) e Máquina de Combate (Don Cheadle)carregam uma das fórmulas da Marvel que não agrada a todos, mas que de fato funciona. Ultimato é realizado, sentimentalmente, de forma fragmentada, e que se torna de algum modo conjunta. Os diretores fizeram funcionar os elementos que foram usados durante a produção: o drama, a comédia, a intensidade, a ação. Tudo devidamente em harmonia para formar 3 horas de filme que não lhe causa sono, bocejo ou desistência nem um segundo sequer. No meu caso, me obrigou a evitar o refrigerante e evitar ter de sair no meio da sessão para ir ao banheiro.
O que podemos dizer do último ato do filme, já logo após do excelente desenvolvimento da trama que trouxe suspiros de nostalgia (e acrescenta mais teorias para o futuro da Marvel) até mesmo aos menos fãs, mostra como tanto evoluiu o MCU, e que o torna exatamente perfeito. Épico. O objetivo inicial estava concluído, mas com um vilão tão imponente ainda a ativa, não podia finalizar de forma tão simples. Thanos, implacável por natureza, ainda era um grande empecilho para os heróis. Tudo aconteceu com um propósito certeiro para fazer com que chegasse à aquele destino final. O embate, então, ficou por conta dos remanescentes. Encurralados pela força estrondosa do Titã Louco e de seu exército, o que restou dos Vingadores agora não era o bastante. A partir deste instante, dentro da sala de cinema, a histeria coletiva foi inevitável. A Santa Trindade (Homem de Ferro, Capitão América e Thor) tinha como obrigação moral e vingativa tentar parar os objetivos do grande vilão, entretanto, um Thor pós-depressão e o despreparo dos heróis não se faria suficiente para tal.
O fan service não poderia deixar de existir. Eu sou fã, quero service! É claro que queremos. E, meu irmão, as cenas de ação que entoam principalmente por volta do Capitão América no mano a mano contra Thanos foi um dos momentos mais marcantes do filme. Fez pessoas começarem a chorar, gritar e aplaudir de pé. O último ato se tornou grandioso pela forma que o filme foi conduzido até ali. A batalha em Wakanda mostrada em Guerra Infinita já tinha sido, por si só especial, mas em Ultimato fica maior ainda. Um amontoado de personagens que criavam de forma simultanea cenas marcantes e memoráveis que farão pessoas irem aos cinemas assistir mais de uma vez a obra, com toda certeza. E seu ápice, que remete tanto à felicidade quanto a mais profunda tristeza, fecha um ciclo de anos construídos pela Marvel.
Tudo aconteceu como deveria acontecer. Sacrifícios foram feitos, costumes foram deixados para trás. Está no manual do super-herói entender que os sacrifícios são feitos por um bem comum maior, e acaba que, por bem ou por mal, sendo um presente para o fã da Marvel que acompanhou toda a realização desse universo compartilhado até aqui.
‘’Marvel tenha a minha mais sincera gratidão. Obrigado por tudo o que produziu até hoje, tudo o que irá produzir e, principalmente, por um filme que irá marcar uma geração.’’
